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Ana Paula Palhares

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29/8/2006

Abertura da Gincana de Contagem - 2006

A L.O.U.C.A. tem baiana? Tem sim senhor!!!
E tem porta-bandeira? Tem sim senhor!!!
E tem mestre-sala? Tem sim senhor!!!
E L.O.U.C.A. tem Disposição? Tem sim senhor!!!
 
 
Cores, alegria, emoção e a maior competência gincaneira, na grande Tarefa de Abertura. As equipes deram o maior show! Sem ensaio, com apenas dez dias, colocaram na avenida um mar de originalidade e criatividade!

Leiam uma crônica de Ney Mourão sobre o desfile da maior Escola de Samba que Contagem já viu!

Crônica de um desfile não ensaiado

 

Ainda sob o impacto da emoção de todo aquele colorido que cruzou a avenida na Tarefa de Abertura, quero dizer o que guardei, no coração e na mente, do que vi por lá...

Não! Não foram casais de mestre-salas e porta-bandeiras que cruzaram a avenida... Foram 21 duplas sincrônicas e charmosas, que se orgulharam das cores de seu pavilhão. Foram pares de seres humanos que deslizavam, como se estivessem sobre nuvens, leves, conduzindo atrás de si a alegria, a empolgação, o vigor e uma energia que jamais será esquecida!

Não! Não havia um carro abre-alas atravessando as ruas. Havia um bolo de aniversário apetitoso e belo, recheado da concretização de um sonho possível. Um bolo cuja massa era feita da certeza de que, quando se quer, é possível traduzir em beleza a vontade de mostrar competência.  Não havia apenas um carro abre-alas. O que a Equipe Enigma trouxe, em seu bolo e seus charmosos e belos acompanhantes, abria era um cortejo que marcaria um momento histórico, um marco. Não! Sinto muito! Mas vocês não viram um carro! Aquilo era um ícone de um rito de passagem! E eu vi um líder que trazia em sua mochila mais que água: trazia o acalanto do cuidado, o frescor da acolhida!

Não! Eu não vi uma Comissão de Frente naquela avenida! Vi jovens cujo sorriso irradiava mais que as cores do arco-íris. E uma elegância tão grande que dava gosto só parar e ficar olhando, e desejando que o desfile durasse 15 anos. O que o Lorde com Sua Abóbora na Cabeça e sua bela Duquesa trouxeram atrás de si foi indescritível. Era a França em sua mais clássica opulência e, ao mesmo tempo, a meiguice da criança que nunca deveríamos perder. Sim! A Abóboras inundou a rua de uma magia sem fronteiras, com seus casais tão lindos!

Não! Eu não vi apenas inertes jabuticabeiras invadindo o asfalto. O que eu vi ali foi a promessa de um futuro melhor! Não dá pra esquecer – e não é pra esquecer – aquelas pequenas árvores saltitantes, cheias de uma vitalidade que contagiava e uma alegria genuína! Abram alas, pras crianças da LSD! Abram alas, que dali elas merecem uma eternidade de sucesso. O que eu vi foi a mágica de transformar marrom em cores do céu! Abençoadas que sejam, crianças da LSD! Com vocês, eu vi a avenida pulsar, como se fosse nascer um mundo novo!

Não! Eu não vi ninguém de preto naquela avenida! A Fumetes era cintilante e clara. Doce, gostosa, suculenta! Eu vi a Fumetes ofertar o bom gosto da comemoração. Eu vi, sim, os frutos de uma terra germinada por esperança e por renovação. Vi sorrisos brancos e iluminados, que não pararam um minuto sequer de cantar! Não! Não havia apenas jabuticabinhas pequenas naquela avenida. Havia gente grande, com vontade de mostrar que é maior quando se quer, que é grande quando se deseja superar os próprios desafios.

Não! Aquele imenso totem da alegria que percorreu a avenida não era apenas um carro alegórico. Era um monumento! Um monumento feito com maestria, magia e bom gosto! Eu vi a tridimensionalidade de uma torre que se projetava para o alto como o sonho de subir todos os dias ao pódio. O que a AZT apresentou aos nossos olhos, senhores, foi a maquete da edificação do orgulho em ser contagense. Eu vi, ali, a materialização da possibilidade de fazer o progresso com as mãos humanas. Eu vi, em movimento, uma fábrica de possibilidades, um modo de fazer sonho se tornar realidade! Um equilíbrio resoluto que nenhuma imbecilidade jamais poderá atropelar!

Não! Não eram pessoas vestidas de operários que vimos na avenida. Era a força gincaneira, traduzida em respeito pelo trabalho! O que a TPN.JAH nos mostrou foi que a maior ferramenta para se começar uma disputa é com o trabalho em equipe. Eu vi gente unida, motivada, disposta a vencer um desafio novo, acreditando que é possível chegar onde quer que o sonho possa nos levar!

Não! Não era apenas o branco animado da NEBTG que clareou a avenida! Ali estava a confirmação de uma certeza: queremos a Paz! Uma certeza que vem sendo acalentada por todos e cujo brilho a NEBTG foi capaz de engrandecer, valorizar, reforçar! Não era apenas um brasão que havia em cada mão. Era um escudo contra a mediocridade, contra a opressão, contra a guerra, contra o ódio, contra tudo de ruim que possa nos assolar. Era um escudo de amor, que se elevava aos céus, quando cada um dos integrantes dançava e pulava.

Não! Nas cabeças da Power Flower não havia apenas cruzados dourados. Havia vontades de empreender esforços para uma equipe cheia de motivação! Havia, naqueles rostos emoldurados pela tradição do brasão da cidade, o “poder”, a “força” - mas um poder e uma força que brotavam da alegria. Eu vi, sim, o amarelo fazer a avenida se iluminar. Eu tive a sensação, até, de ver o sol ficar até mais tarde no firmamento! Eu vi a Power Flower trazer a energia do sol para a passarela!

Não! Eu não vi apenas a Metanóia passar pela avenida principal. O que passou por ali foi a força da fé. A fé que não se deixa abalar. A fé que não tem cor e que suporta desafios que vêem dos céus, para provar que é possível vencer sempre, quando se crê! O que a Metanóia apresentou foi o respeito a suas crenças, e o respeito ao outro, como irmão. Eu vi a dignidade andar com pés firmes, como um dia alguém que cruzou um mar revolto. Eu vi o senso de inclusão. Estava tudo lá. Glória, Senhor!

Não! Eu não apenas ouvi! Mas eu ouvi! Ouvi um brado! “A L.O.U.C.A  tem baianas?”  E elas respondiam: Sim! E giravam! E enchiam de graça, e enchiam de brilho! Juntando os cacos de qualquer tristeza e transformando tudo em beleza! Eu vi um mar de encanto encantando e cantando! Não! Não eram baianas que desceram e subiram e giraram e rodaram! Era a raça contagense! Era a raça brasileira! Era a raça feminina. Sorrisos femininos que se confundiam com o brilho das vestes. Vestes brancas, que se confundiam com os tons das almas! E um L.I.D.E.R, a embalar!

Não! A Vagabonds não levou apenas passarinhos! Ela pousou nos corações! Com asas leves. Suaves! Asas coloridas! Eu vi gente de mãos dadas! E asas que bateram suaves, ao som da bateria – tão perto! Eu vi gente orgulhosa por ter asas nas costas e desejo de voar! Eu vi gente com coração de pássaro, olhar no firmamento, metas no horizonte! Não! Eu não vi pássaros! Eu vi pessoas germinando vôos! Eu vi a Vagabonds projetar-se para longas distâncias!

Não! Aquele jeito bom de vibrar não eram só instrumentos! Eu senti o chão pulsar, meus senhores! Eu ouvi o coração do solo se emocionar com os acordes da bateria da KAOS. Eu vi o clamor do trabalho em equipe, traduzido em vontade de acertar. Eu ouvi o ensaio e apresentação, em um mesmo dia, de pessoas que disseram: Nós podemos! Eu vi o KAOS virar Cosmos, como na mitologia grega – desordem gerando harmonia! Música, embalando quem vinha pela frente, atrás, dos lados, acolá!

Não! Eu não vi uma alegoria representando a Matriz! Eu vi o amor pela religiosidade! Eu me vi boquiaberto pela beleza de um banner. Eu vi a fonte de respeito representada em branco e preto, mas com uma cor suave de aurora. Fonte grande de emoção eu vi, também, nos rostos das noivas, no acolhimento dos noivos. E eles bailavam! Era festa aquilo! Era amor! Era baile! Era vida! Eu vi! Eu vi a Fonte Gang renovar e confirmar a alegria do encontro! Eu vi uma equipe casada com o charme, a elegância! Meu Deus! Não era real o casamento? Onde iam aquelas mulheres, então?! Elas iam enfeitar a avenida, que nunca viu nada igual!

Não! Eu não vi crianças! Eu vi o futuro! E o futuro era bom de se ver como uma bola rolando! Sim! Lá estava a MPB! E eu vi sorrisos, incontáveis até! Mas como eu vi carinho, nas mãos dos adultos! Cuidadosos, cuidadores! Eu vi a vibração de uma final de futebol! Eu vi a alegria do gol! A esperança da vitória. Eu vi a geração gincaneira se renovando. E vi o orgulho de líderes, corujas assumidos de suas crias – que criar gente boa é sempre bom de se ver!  Eu vi um líder que olhava pras suas crianças e dizia: Isso é MPB! E ali estava, mais bonito que um gol: um sorriso de quem acredita no sucesso de suas novas gerações! 

Não! Eu não vi apenas o azul das vestes. Eu vi a Funeckeiros fazer o céu descer sobre a avenida. E vi a energia dos seus líderes. E, não importa a medida das coisas! Eu vi um amor sem medida à equipe! Uma vontade de lutar que faz a diferença. Eu vi minha escola secundária (Sim! Estudei na Funec!) mostrar que tem vontade. Eu vi a garra rompendo as barragens, num escoadouro de vigor e energia! Eu vi uma cena inesquecível: uma integrante entregando uma flor de sua cabeça a uma mendiga. Eu vi bondade no gesto! Eu vi a Funeckeiros distribuir amor nas mãos daquela menina!

Não! Não era verde, não era azul, não era prata, não era vermelho! Era rosa! Era rosa a cor da alegria! E nas sacolas eu vi transbordar empolgação! Não foi só a Monta Ota que encheu de beleza a avenida. Foi a demonstração de que há muita coisa que não se pode comprar. E tudo o que não se pode comprar eles trouxeram: um belo grito de guerra, a proteção às suas crianças, o senso de cuidado com o outro – como se cuidaram nos momentos mais delicados. A cor da força é rosa! Eu vi! A cor da solidariedade, também! Eles e elas gritaram, quando a outra equipe foi atropelada pela imbecilidade! Eu vi! Tá ruim? Monta ota, não, que essa tá boa demais! 

Não! Eu não vi os Metralhas! Eu vi Guimarães Rosa! Grande Sertão! Pelas veredas da ala, eu vi pesquisa e criatividade! Eu vi originalidade e ousadia! Nostradamus previu? Que nada! Aquilo era bonito demais! Eu vi o homem-teclado brincar de alegria! Eu vi, nas páginas do Dicionário, só boas palavras. Não! Não foi um bando de Metralhas que sambou pela avenida! Aquilo tudo foi mais. Aquilo, como eu vi em um rosto, merecia estar na tela da TV! Eu ouvi, sim, os metralhas mudarem o grito de guerra, atendendo aos pedidos das professoras do lado! Eu vi uma nova geração surgindo! E gostei do que vi!

Não! Não era o pôr-do-sol que surgia! Eu vi, sim, o vermelho tingir a avenida! Mas eram os Vareteiros, com seu coração pulsante. Ah, e eles giravam, também. Rodopiavam! Corações na frente! Corações atrás! Corações ao alto! Corações por todo lado. Eu senti o coração da avenida bater mais forte, vareteiros, quando vocês pisaram o asfalto! Eu vi vocês marcarem o ritmo das últimas alas! Ah, eu vi, sim!

Não! Não dava pra ter pressa! A vontade era ficar por ali, vendo as horas passarem. Que bom que os ponteiros estavam parados! Eu vi, em cada relógio, o desejo que temos em cada gincana: que esses momentos durem muito, mas muito tempo ainda! Não! Eu não vi relógios pela avenida, nos corpos felizes da Equipe Elite! Eu vi a vontade de parar o tempo! Ou de avançar um ano, até a próxima gincana. E como aqueles relógios mostravam um tempo feliz! Tempo de celebrar! Tempo de brincar! Eu vi a Elite nos chamar pra brincar!

 

Não! Eu não dormi essa noite! E quisera nunca mais precisar dormir! Ou, então, quisera dormir e sonhar com estrelas! Ou com a lua iluminada! Prateada e bela, como os sorrisos da QG Gandaia! Aliás, coincidências existem? Nem quero pensar. Acho que vou aceitar o convite e cair na Gandaia, com essa gente iluminada. Eu vi a QG Gandaia de trajes de gala, pronta pra ser feliz, brincando e fazendo sorrir! E eram estrelas e luas nas varinhas de condão! Ah, eu vi fadinhas encantando as crianças. Ah, eu, como criança, me encantei e quase não acordo daquele sonho brilhante!

Não! Nada ocorre por acaso. Zigoto é parte germinal do que precisa ser germinado. Eu vi a singela homenagem nas mãos de cada um... Pequenos nadas dizem tudo. Uma marca... Um mascote... Uma cor. Um jeito de falar de importância e respeito. Não! Nada ocorre por acaso. Eu vi, antes de tudo se misturar, num grande Carnaval, antes de tudo virar uma única equipe multicolorida e radiante, eu vi a Zigoto germinando bondade! Eu vi vida nova começando, no pequeno, no sublime, no que gera o grande, na preparação inconfundível da apoteose!

E eu vi! Ah, sim! Isso eu vi! Lá no final... Um novo começo! “Pelo menos 105”! Mas havia muito mais! Uma ciranda, uma profusão. A emoção. Família. Família gincaneira junta! Bebês ao colo, em carrinhos. Camisetas sendo trocadas. Ah, eu vi! Obrigado! Eu vi a renovação de uma certeza: Gincana é bonito demais!!!

By Ney Mourão

28/8/2006

Aula de Filosofia

 
Este foi enviado pela Xanda!
Pessoa Linda também. Tive muito prazer em conhecê-la.
 
Xanda, beijo enooooorme procê.
 
Um professor de filosofia parou na frente da classe e, sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e encheu-o com pedras de uns 2 cm de diâmetro.

Então perguntou aos alunos se o vidro estava cheio.

Eles concordaram que estava. Então o professor pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos e o jogou dentro do vidro agitando-o levemente. Os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras.

Ele perguntou novamente se o vidro estava cheio. Os alunos concordaram: agora sim, estava cheio. Aí o professor pegou uma caixa com areia e despejou-a dentro do vidro preenchendo o restante.

— Agora, disse o Professor, - eu quero que vocês entendam que isto simboliza a sua vida! As pedras são as coisas importantes: sua família, seus amigos, sua saúde, seus filhos, coisas que preenchem a sua vida.

Todos ficaram cheios de admiração pelo professor.

Então ele continuou:
— Os pedregulhos são as outras coisas que importam, como o seu emprego, sua casa, seu carro. A areia representa o resto. As coisas pequenas.

Mais uma vez a classe se espantou com a sabedoria do mestre.

E ele concluiu:
— Se vocês colocarem a areia primeiro no vidro, não haverá mais espaço para os pedregulhos e as pedras. O mesmo vale para a sua vida.

Cuidem das pedras primeiro. Das coisas que realmente importam.

Estabeleçam suas prioridades. O resto é só areia!

Nessa hora um aluno pegou o vidro que todos concordaram que estava cheio, e derramou um copo de cerveja dentro.

A areia ficou ensopada com a cerveja preenchendo todos os espaços restantes dentro do vidro, fazendo com que ele desta vez ficasse realmente cheio.

Moral da estória:
Não importa o quanto a sua vida esteja cheia, sempre sobra espaço para uma cervejinha.
11/8/2006

Desejo (Victor Hugo)

Recebi este texto da Fran.
Ela mandou especialmente para o meu Blog.
Estou muito honrada por isso... rsrsrs.
Fran, muito obrigada pelo carinho. Bjokas para você!
O texto veio com o seguinte bilhetinho:
"Este texto é maravilhoso!
E o que desejo a todas as pessoas que eu gosto de verdade, as que eu aprendi a gostar e as que eu vou conhecer pra gostar.Se eu tivesse um space (coisa que eu não faço por pura preguiça;confesso!), eu colocaria este texto.Mas prefiro vê-lo no seu,acho que não conseguiria fazer melhor!
Bjos Aninha!
Fran"
 
Desejo

Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde magoa. Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar, E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos; Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustificados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.

Victor Hugo
24/7/2006

"O Jardineiro" - Rubem Alves

O jardineiro


Faz tempo ganhei um presente maravilhoso: por conta da Fundação Rockefeller passei um mês na “Villa Serbelloni“. A “Villa Serbelloni“ é um palácio, em tempos idos morada de príncipes e princesas. Dizem as – não sei se boas ou más - línguas que o presidente John Kennedy teve um encontro amoroso com Sophia Loren naquele lugar. Se teve, o lugar foi bem escolhido. Hoje ela está destinada a fins menos românticos: é um centro de estudos e conferências. Para se ganhar presente igual ao meu basta que se tenha um projeto acadêmico passível de ser realizado em um mês. Se for aprovado o candidato passa um mês na “Villa Serbelloni“...

Quando cheguei foi um deslumbramento! Lá embaixo, o lago de Como, azul, suas margens pontilhadas com pequenas vilas. Ao fundo, os Alpes cobertos de neve. Ao redor, bosques e jardins – dezessete quilômetros para se caminhar em meio à beleza. E a cada quarto de hora se ouviam os sinos, os mesmos sinos que eram tocados há séculos. A beleza era prenúncio de um mês de felicidade!

Mas, passados uns poucos dias, a tristeza bateu. A beleza dos bosques e jardins era a mesma mas não me dava alegria. Comecei a ter saudades do meu jardim, jardinzinho que podia ser atravessado com duas dúzias de passos. Os jardins do palácio eram lindos, lindíssimos, muito mais lindos do que o meu. Mas não eram o MEU jardim. Eu não os amava. O jardim que eu amava era aquele onde estavam as plantas que eu havia plantado.

Senti-me igual ao Pequeno Príncipe. No seu pequeno asteróide ele tinha um jardim com uma rosa só. E ele imaginava que sua rosa era única, não havia nenhuma igual em todo o universo. Agora, caído nesse mundo, longe da sua rosa, ele estava aflito. Sozinha, quem cuidaria dela? Havia o perigo de que o carneiro a comesse... Foi então que, andando pelo mundo, ele passou por um mercado de flores. E lá ele viu o que nunca imaginara ver: centenas, milhares de rosas, todas iguais à sua rosa, sendo vendidas aos maços. O seu primeiro sentimento foi de espanto. “-Então, minha rosa não é a única! Ela me mentiu quando me fez acreditar que não havia outra igual... “ Ao espanto seguiu-se a tristeza: rosas, centenas, milhares... Seu jardinzinho era ridiculamente pequeno... Levou tempo para que ele compreendesse que sua rosa lhe dissera a verdade. “– Não! Essas rosas não são iguais à minha rosa. Não são iguais porque a minha rosa é a rosa de quem eu cuidei! Tirei as lagartas de suas folhas – nem todas é verdade, por causa das borboletas - , eu a reguei e pus uma mordaça na boca do carneiro, para que ele não comesse as suas folhas...“

Os adultos têm dificuldade de entender. As crianças são mais inteligentes, elas têm a inteligência do coração. Quando morre um cachorrinho e a criança chora, os grande se apressam em consolar: “- Não chore! Vamos comprar um outro cachorrinho igualzinho ao seu!“ Só a criança sabe que nenhum outro cachorrinho do mundo será igual ao seu cachorrinho que morreu...

Foi assim que me senti em meio aos jardins da “Villa Serbelloni“: eu queria voltar para casa para cuidar do meu jardinzinho! Aprendi então a primeira lição da jardinagem. Jardins bonitos há muitos. Mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente. Vou repetir, porque é importante: só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente. Plantar um jardim é como parir um filho. É preciso que o jardim se forme primeiro, como sonho. Li isso pela primeira vez nos escritos do místico Angelus Silesius: “Se você não tiver um jardim dentro de você, é certo que você nunca encontrará o Paraíso!“ Traduzindo: se o jardim não estiver dentro o jardim de fora não produzirá alegria.

Rickert tem um poeminha que diz assim: “Nossos dias são curtos mas com alegria os vemos passando se no seu lugar encontramos uma coisa mais preciosa crescendo: uma flor rara, exótica, alegria de um coração jardineiro... Uma criança que estamos ensinando. Um livrinho que estamos escrevendo.“ Se tivermos um coração jardineiro a passagem do tempo, a velhice chegando, a morte espreitando, deixam de ser uma experiência de dor. Plantar um jardim é uma liturgia para exorcizar a morte. Eu me alegro olhando para as árvores pequenas que estarão grandes depois que eu ficar encantado.

Conheci um homem muito rico, seu apartamento era imenso. Tendo muito dinheiro, ele contratou um decorador que encheu o seu apartamento com objetos caros e bonitos. Mas todos os objetos eram belos e mortos. Haviam sido comprados em lojas de objetos de decoração. Não haviam saído da alma daquele homem. Não havia “aconchego“. Aconchego existe quando os objetos têm o calor do corpo de alguém. O mesma coisa eu sinto quando olho para certos jardins. Especialmente os jardins dos edifícios de apartamentos. São todos iguais: pedras, troncos, bromélias, palmeiras, as mesmas plantas, que não precisam de cuidados. Os moradores passam por ele sem nada ver. Eles têm razão. O jardim não diz nada. Ele não é de ninguém. O jardim não faz diferença. Nem sequer pensam em cuidar dele. Não sofrem quando uma planta morre.

Um psicanalista tem de ser um jardineiro a procura de um “jardim secreto“. Ele sabe da existência do “jardim secreto“ pelas plantas minúsculas que brotam nas fendas das nossas paredes de cimento. Toda pessoa tem um “jardim secreto“. Cecília Meireles descrevia o corpo de sua avó morta como um lugar onde cresciam “jardins de malva e trevo, com seus perfumes brancos e vermelhos“. Rilke, mais selvagem, via dentro de si mesmo um “bosque antiquíssimo e adormecido...“

Um paisagista tem de ser um psicanalista que procura adivinhar o jardim que cresce dentro das pessoas. Fazer jardins convencionais é fácil. A marca de um jardim convencional é que logo os olhos se acostumam... É preciso ter sensibilidade poética para ver o “jardim secreto“.

Todos estamos em busca de um jardim antiquíssimo. Todos queremos voltar para um jardim antiquíssimo. A alma não deseja novidades. A alma deseja aquilo que ela amou e perdeu. A alma quer sempre voltar. O “jardim secreto“ é o lugar para onde se volta...

Você gostaria de plantar um jardim mas o seu espaço é pequeno. Mas isso não é impedimento. Pode-se plantar um jardim em qualquer lugar. Há jardins que se plantam à volta das janelas e das portas. São lindas as trepadeiras floridas caindo pelas sacadas. Haverá coisa mais delicada que as efêmeras “Manhãs gloriosas“? Walt Whitman dizia que a flor de uma “Manhã Gloriosa“ lhe dava mais alegria que todos os livros de filosofia! As sacadas coloridas com gerânios vermelhos são, numa cidade, a revelação da alma dos seus habitantes!

“Síndrome do grande“ é uma perturbação oftálmica ainda não bem compreendida. Quem sofre dela só vê coisas grandes – não vê coisas pequenas. Para essa doença existe remédio. É só consultar um poeta japonês. Os japoneses sabem como educar os olhos para que eles se assombrem diante do pequeno. Por exemplo: minha amiga Meire, esposa do João Francisco, é uma poeta das dobraduras. Faz origamis minúsculos, maravilhosos, perfeitos. São hai-kais de papel. As borboletas grandes chamam logo a atenção. Mas os desenhos mais elaborados e delicados, eu os encontrei nas borboletas pequenas. E as minúsculas flores silvestres, que passam desapercebidas aos olhos que sofrem da “síndrome do grande“, exibem cores e simetrias assombrosas.

Com coisas pequenas, plantas e flores minúsculas, é possível fazer cenários e jardins dentro de um garrafa de boca larga (12 centímetros). Deita-se a garrafa. Dentro dela a gente constrói uma paisagem: pedras, areia, terra, cascas de árvore, musgos, mini-bromélias, plantas-miniatura, um pouco de água... Tapa-se a garrafa e está pronto o jardim. Ele assim vive por meses – e você poderá tê-lo na sua mesa de trabalho! Vamos! Anuncie o Paraíso! Plante um jardim!


APERITIVOS

Veja o filme O Jardim Secreto.

Hans Born, é marido da Tomiko, japonesa. Aquela do Blazer Vermelho e da estória do jardineiro que se apaixonou pela Fräulein. Mandou-me um e-mail. Sobre o filme Viver, do Kurosawa. Cena de que não me lembrava: o burocrata, no fim, já perto de morrer, balança no balanço do jardim que ajudara a construir, com o rosto transfigurado de paz. Se não me engano o filme do Bergman, Gritos e Sussurros, também termina numa cena de balanço. Peço ajuda ao Marcel, especialista em Bergman... Informou-me também o Hans que em Munique há uma área destinada a pequenos jardins que a prefeitura aluga à população. O povo cultiva flores e verduras. E coisa parecida existe também na Holanda.

Se vocês estiverem à cata de idéias para fazer um jardim, telefonem para 3243 6572. É o telefone da Raquel, minha filha, arquiteta-paisagista, com quem troco idéias sobre jardins. Ela é boa nisso!

Vocês podem imaginar uma cidade em que o “lixão“ alimenta um parque maravilhoso, bem ao seu lado, onde o povo vai para passear, fazer piqueniques e churrascos, às margens dos lagos com patos e gansos? Existe. No Brasil. Ipatinga/MG: www.ipatinga.mg.com.br

Gramado, cidade das hortênsias, do inverno charmoso, do inverno com fondue. Lá aconteceu um assassinato horrível. O senhor Knorr, muitos anos atrás começou a plantar um parque. Fui visitá-lo. Lugar fantástico, misterioso... Lembrei-me dos versos de Frost: “Os bosques são belos, sombrios, fundos...“ Voltei a Gramado. Eu só queria visitar o Parque Knorr de novo. Foi assassinado. Transformaram-no na morada de Papai Noel, com renas, trenós, 500.000 (isso mesmo!) lâmpadas que se acendem à noite. O sonho do senhor Knorr foi assassinado por gente que nada entende do mistério sagrado da natureza e pensa com idéias de playcenter. Não voltarei lá para não sofrer. (Correio Popular, Caderno C, 08/07/2001.)

11/3/2006

DO DOUTORADO À SABEDORIA POPULAR!!!

Essa foi enviada por um amigo... É ótima... para que simplificar se podemos complicar, né... hahaha!!!
DO DOUTORADO À SABEDORIA POPULAR!!!
 
DOUTORADO
============
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar.
 
 
 
MESTRADO
============
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando- se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.
 
 
 
GRADUAÇÃO
============
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.
 
 
 
ENSINO MÉDIO
============

Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.
 
 
 
ENSINO FUNDAMENTAL
============

Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.
 

SABEDORIA POPULAR
=================
Rapadura é doce, mas não é mole não!
 
1/1/2006

Feliz 2006 !!!

ANO NOVO


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente.
...Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida
Todas as alegrias que puder sorrir
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para
Repassar o que realmente desejo a você
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
Ao rumo da sua FELICIDADE!!!

Drummond

12/9/2005

"O Pavão"

O Pavão

Rubem Braga


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958

19/8/2005

"Aqueles que ficam..."

Oi, recebi esta mensagem de um grande amiguinho meu... Alércio.

Bjim pro cês...

Aqueles que ficam...

Um famoso palestrante começou um seminário numa sala com 200 pessoas, segurando uma nota de R$100,00.

Ele perguntou:

"- Quem de vocês quer esta nota de R$100,00?"

Todos ergueram a mão... Então ele disse: "

- Darei esta nota a um de vocês esta noite, mas primeiro, deixem-me fazer isto..."

Aí, ele amassou totalmente a nota.

E perguntou outra vez:

"- Quem ainda quer esta nota?"

As mãos, continuavam erguidas...E continuou:

"- E se eu fizer isso..."

Deixou a nota cair ao chão, começou a pisá-la e esfregá-la.

Depois, pegou a nota, agora já imunda e amassada e perguntou:

"- E agora? Quem ainda vai querer esta nota de $100,00??"

Todas as mãos voltaram a se erguer.

O palestrante voltou-se para a platéia e disse que tinha ensinado uma lição... "

- Não importa o que eu faça com o dinheiro, vocês continuaram a querer esta nota, porque ela não perde o valor.

Esta situação também acontece com a gente... Muitas vezes, em nossas vidas, somos amassados, pisoteados e ficamos nos sentindo sem importância. Mas, não importa.... jamais perderemos o nosso valor. Sujos ou limpos, amassados ou inteiros, magros ou gordos, altos ou baixos, nada disso importa! Nada disso altera a importância que temos! O preço de nossas vidas, não é pelo que aparentamos ser, mas pelo que fizemos e sabemos!! Agora reflita bem e procure responder a estas perguntas:

1 - Nomeie as 5 pessoas mais ricas do mundo.

2 - Nomeie as 5 últimas vencedoras do concurso Miss Universo.

3 - Nomeie 10 vencedores do prêmio Nobel .

4 - Nomeie os 5 últimos vencedores do prêmio Oscar, como melhores atores ou atrizes.

Como vai? Mal né? Difícil de lembrar??? Não se preocupe.

Ninguém de nós se lembra dos melhores de ontem. Os aplausos vão-se embora! Os troféus ficam cheios de pó! Os vencedores são esquecidos! Agora responda a estas perguntas:

1 - Nomeie 3 professores que te ajudaram na tua verdadeira formação.

2 - Nomeie 3 amigos que já te ajudaram nos momentos difíceis.

3 - Pense em algumas pessoas que te fizeram sentir alguém especial.

4 - Nomeie 5 pessoas com quem transcorres o teu tempo.

Como vai? Melhor não é verdade?

As pessoas que marcam a nossa vida não são as que tem as melhores credenciais, com mais dinheiro, ou os melhores prêmios... São aquelas que se preocupam com você, que cuidam de você, aquelas que de algum modo estão consigo.

Reflita um momento.

A vida é muito curta! Você, em que lista está? Não sabe?... Permita-me te dar uma ajuda... Você não está entre os famosos, mas está entre aqueles que eu me lembro com carinho para mandar esta mensagem".

15/8/2005

"Fazer Amor"

Fazer amor é coisa séria demais...

Não basta um corpo e outro corpo,

misturados num desejo insosso,

desses que dão feito fome trivial,

nascida da gula descuidada,

aplacada sem zelo, sem composturas, sem respeito,

atendendo exclusivamente a voracidade do apetite.

 

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma,

uma alma tateando outra alma,

desvendando véus,

descobrindo profundezas,

penetrando nos escondidos,

sem pressa com delicadeza...

porque alma tem textura de cristal,

deve ser tocada nas levezas,

apalpada com amaciamentos...

até que o corpo descubra cada uma das suas funções.

 

Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa.

As mãos deslizam sobre as curvas,

como se tocando nuvens,

a boca vai acordando e retirando gostos,

provando os sabores,

bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons,

é o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

 

Fazer amor é Ressurreição !!!

É nascer de novo: no abraço que aperta sem sufocamentos no beijo que cala a sede gritante,

na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.

Vale chorar, vale gemer...vale gritar,

porque aí já se chegou ao paraíso,

e qualquer som ha de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho...

há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.

 

Corpos se ajustaram, almas matizaram...

Fez-se o Êxtase! É o instante da Paz... é a escritura da serenidade!

E os amantes em assunção pisam eternidades !!!

 

(Texto de um Frei do Colégio Santo Agostinho)

6/8/2005

"SEJA UM IDIOTA"

SEJA UM IDIOTA - Arnaldo Jabour


A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia  de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso diante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? Rs

 

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"

"Porta do lado"

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que "a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida; que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente... É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por  que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, são faz a menor diferença.  

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.
Que "audácia" contrariá-los!

São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.

E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça...

Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então
não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.

Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado".

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu
dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.

 

Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.

 

A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída...

 

Experimente!!!"

* Por Dráuzio Varella *

"Como nasce um PARADIGMA"

Como nasce um PARADIGMA


Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo  centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um  macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um  jato de água fria nos que estavam no chão.

 

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar  da tentação das bananas Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.

A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

 

Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.

Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.

Um quarto e, finalmente, último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que,  mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que  tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem  tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

"É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito".

Albert Einstein

 

"Viver não dói"

Viver não dói
 
Definitivo, como  tudo  o  que  é  simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e
não se  cumpriram.

Por que sofremos tanto  por amor?

O certo  seria  a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo  feliz.  Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi  desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas  projeções irrealizadas, por todas as  cidades que gostaríamos
de  ter conhecido ao lado do nosso amor e não  conhecemos, por todos os
filhos  que gostaríamos  de ter  tido junto e não tivemos, por todos os
shows  e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não
compartilhamos.

Por todos os  beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso  trabalho é desgastante e paga pouco, mas por
todas as  horas livres que  deixamos  de  ter para ir ao cinema, para
conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos  não porque  nossa  mãe é  impaciente  conosco, mas por todos os
momentos  em que poderíamos  estar  confidenciando a ela nossas mais
profundas angústias se ela estivesse interessada em nos  compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque e nvelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado  de  nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas
aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
 
Como aliviar a dor do que não foi  vivido?
 

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me  convenço de que o desperdício da vida está no
amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada
arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade
15/7/2005

"Prazer e Vocação"

Tempo de Escolher
Tom Coelho

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”
(Albert Schweitzer)



Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns, apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros, admiram a estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções. Uns, recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém desafiadoras. Outros, têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.

Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de se fazer escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o ´sim´ e o ´não´, só existe um caminho: escolher.”

Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão clara, específica e irrevogável tem que ser tomada simplesmente porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos 15 anos, outras aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar a outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a outra dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.

Prazer e Vocação

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia “a sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutivelmente importante alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação. Oriunda do latim vocatione, e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa latente, capaz de fazer advogados virarem músicos, engenheiros virarem suco. É um lugar no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.

Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí recorro novamente à etimologia das palavras para descobrir que o verbo preferir vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.

O mundo corporativo nos guarda muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. A problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando: “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?” Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida. Por isso, opto por assumir riscos, evidentemente calculados, e seguir adiante. Dizem que somos livres para escolher, porém prisioneiros das conseqüências...

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura meramente defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.

Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “não se pode ser bom pela metade”. Meias-palavras, meias-verdades, meias-mentiras, meio caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com paixão?”

Qual seria a resposta para você?

12/7/2005

"Saudades"

Oi Pessoal,
Recebi este texto da minha amiga Sâmara. Achei lindo.
E é bem verdade...
Bjim à todos vocês.
Ana
 
 
Saudades
(Fernando Pessoa)

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos
saudades de todas as conversas jogadas fora, as
descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos
tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia,
das vésperas de finais de semana, de finais de ano,
enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino,
ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez
continuemos a nos encontrar quem sabe...... nos e-mails trocados.
Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens....
Aí os dias vão passar, meses...anos... até este
contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo....Um dia nossos filhos
verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas?
Diremos...Que eram nossos amigos. E...... isso vai doer tanto!
Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores
anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos
reuniremos para um ultimo adeus de um amigo. E entre
lágrima nos abraçaremos.
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele
dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado
para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.
E nos perderemos no tempo.....
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não
deixes que a vida passe em branco, e que pequenas
adversidades seja a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se
morressem todos os meus amigos!"
11/7/2005

"Como vc vê as coisas da vida?"

Olá!!!
Estou alçando novos desafios. Estou de malas prontas para o novo.
Isso é fascinante.........só depende de como vemos as coisas. 
A diferença de como vemos as coisas se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

 

O texto acima foi extraído do caderno "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004 - por Rubem Alves


Assim, mais aberto e compreensivo, o olhar pode ser ferramenta para descobrir brinquedos que nos encantem, extraindo prazer das coisas mais corriqueiras, aguçando uma curiosidade que nos empurre para frente, abrindo portas , até o dia em que possamos perceber que, as mesmas portas, abertas em momentos diferentes, podem nos levar a diferentes caminhos, a uma nova visão do que já pensávamos conhecer .... . O mundo ao nosso redor, mutável como nós mesmos, oferece-nos a incomparável lição de que nada é para sempre, pois o sempre pertence a uma outra dimensão, ainda não vislumbrada entre os arcos que cruzamos no tempo da nossa existência. É preciso ser criança para crescer um pouco a cada dia, deliciando-nos com as surpresas das descobertas, surpreendendo-nos com o quanto ainda não sabíamos. O aprendizado, portanto, deve guardar o olhar sobre uma verdade vital: tudo aquilo que nasce morrerá, e enquanto isso estará em constante processo de transformação.

2/7/2005

"A Pipoca" - por Rubem Alves

Sabem aquele momento em que acreditamos ser o fim do mundo? Pensamos que somos os últimos dos últimos e que nada mais pode melhorar? Pois é.......quem nunca passou por isso? Pois digo que por pior que seja o momento pelo qual passamos, podemos sim melhorar. Basta querermos nos transformar, aprendermos com cada momento para nos tornarmos alguém melhor.
Esta crônica de Rubem Alves nos fala disso.
Leia-a com carinho...
Deguste-a.
Um beijo carinhoso a todos vocês
Ana
 
A Pipoca

(Rubem Alves)

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.

Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...

A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... (O amor que acende a lua, p. 59.)

 

27/6/2005

"MORANGOS À BEIRA DO ABISMO"

MORANGOS À BEIRA DO ABISMO

Um homem ia feliz pela floresta quando, de repente, ouviu um urro terrível. Era um leão. Ele teve muito medo e começou a correr. O medo era muito, a floresta era fechada. Ele não viu por onde ia e caiu num precipício. No desespero agarrou-se a uma raiz de árvore, que saía da terra. Ali ficou, dependurado sobre o abismo. De repente olhou para a sua frente: na parede do precipício crescia um pezinho de morangos. Havia nele um moranguinho, gordo e vermelho, bem ao alcance da sua mão. Fascinado por aquele convite, para aquele momento, ele colheu carinhosamente o moranguinho, esquecido de tudo o mais. E o comeu. Estava delicioso! Sorriu, então, de que na vida houvesse morangos à beira do abismo...

 

"Sobre Simplicidade e Sabedoria"

É um pouco grande, mas vale a pena ser lido com carinho.

Sobre Simplicidade e Sabedoria

Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.

Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.

No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.

Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.

Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).

O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.

Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“

Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“

Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“

Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...

A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.

O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.

As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.

Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.

Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.

Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Rubem Alves - Concerto para corpo e alma, pg. 09.)

"Faxina na Alma"

 Vou contar um segredo para vocês, tenho este texto em um quadro no meu quarto - para que eu nunca me esqueça de fazer uma faxina na minha alma e colocar as coisas em seus devidos lugares.
 
 

Faxina na Alma

(Carlos Drummond)

 

Não importa onde você parou...

em que momento da vida você cansou... 
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... 

é renovar as esperanças na vida e o mais importante... 

acreditar em você de novo. 

Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado... 

Chorou muito? Foi limpeza da alma... 

Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia... 

Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos... 

Acreditou que tudo estava perdido? Era o inicio da tua melhora... 

Pois é... agora é hora de reiniciar... de pensar na luz... 

de encontrar prazer nas coisas simples de novo. 

Um corte de cabelo arrojado... diferente? 

Um novo curso... ou aquele velho desejo de aprender a pintar...

desenhar... dominar o computador... ou qualquer outra coisa... 
Olha quanto desafio... quanta coisa nova nesse mundão 

de meu Deus te esperando. 

Tá se sentindo sozinho? Besteiras... 

tem tanta gente que você afastou com o 

seu "período de isolamento...”  

tem tanta gente esperando um sorriso teu 

para "chegar" perto de você. 

Quando nos trancamos na tristeza... 

nem nós mesmos nos suportamos... 

ficamos horríveis... 

o mau humor vai comendo nosso fígado... 

até a boca fica amarga. 

Recomeçar... 

hoje é um bom dia para começar novos desafios. 

Onde você quer chegar? 

Ir alto... sonhe alto... 

queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida... 

pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos... 

se pensamos pequeno... coisas pequenas teremos... 

já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente 

lutarmos pelo melhor... o melhor vai se instalar na nossa vida. 

E é hoje o dia da faxina mental... 

joga fora tudo que te prende ao passado... 

ao mundinho de coisas tristes.... 

fotos... peças de roupa, papel de bala... 

ingressos de cinema, bilhetes de viagens... 

e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos 

julgamos apaixonados... 

jogue tudo fora... 

mas principalmente... 

esvazie seu coração... 

fique pronto para a vida... 

para um novo amor... 

Lembre-se somos apaixonáveis... 

somos sempre capazes de amar muitas vezes e 

muitas vezes... 

afinal de contas... 

Nós somos o "AMOR"... 

"Porque sou do tamanho daquilo que vejo,  
e não do tamanho da minha altura".

"Eu amo tudo o que foi"

Tudo na vida passa, o que temos a fazer é garantir sempre um excelente recomeço. O ontem fica como aprendizado, o hoje é o que vale à pena, o amanhã............ bom, o amanhã depende do que faremos hoje.

Pense nisso!!!

 

Eu amo tudo o que foi
(Fernando Pessoa)

EU AMO TUDO o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

 

"Procura-se um Amigo"

 

Procura-se um Amigo
(Vinícius De Moraes)
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Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se à consciência de que ainda se vive.

22/6/2005

"Amigo"

Recebi este texto da minha grande amiga ISIS.

Amiga, amo você!!!

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta...

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego.

Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon...

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação: amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão,sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.